Memories

"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."

Derradeiro Momento

Published by 「ϻȝƚɋɣαɦȡ 」 under on 00:04:00



De nosso jardim vem até o quarto um denso aroma de flores variadas - este mesmo aroma que incontáveis vezes muito nos felicitou enquanto deliciávamos um ao outro com nossos poemas de amor, faz-nos neste momento de uma tristeza tal que nosso coração chora e nossa alma queda-se em intenso silêncio. Não se faz necessário que seja uma única palavra dita para que percebamos ambos que assim nos sentimos. Estou sentado à beira de nossa cama – ela, deitada debaixo de espessos cobertores -, a segurar-lhe a mão – sua pele delicadamente macia, como sempre o fora – enquanto leio para si algumas odes dedicadas. Ela ouve atentamente, seus belos olhos com a mesma expressão de ternura que sempre tivera. Ela é, em verdade, uma criatura amável. Adoram-lhe todos: vêm-na visitar muitos nossos amigos a vários horários do dia. Bem... Terminada a leitura, seus olhos marejam-se e também os meus: sentimo-nos ambos profundamente sensíveis. Estamo-lo realmente – quero dizer, mais do que habitualmente somos. Passamos longos minutos a olharmo-nos a altura dos olhos, como se confidenciássemos um ao outro algo que nunca d’antes, em todo este tempo, havíamo-lo feito.


{...}


Quando o velho relógio ao silêncio quebrara a badalar dezoito intensas vezes, percebo seu olhar a fitar o vazio – ela sente o peso do tempo. Está distante, como que a divagar sobre tudo o que se passa. Encontra-se aberta a janela e, do lado de fora – ouvimos -, cantam os pássaros canções mais tristes; o vento às folhas das árvores sussurra, e estas – podemos também ver, pois a cortina fora retirada de modo ao quarto adentre mais ar e ele possa estar mais arejado – dançam em movimentos suaves, porém profundamente melancólicos; as nuvens estão escuras, carregadas de um Sentir muitíssimo triste – carregadas com as lágrimas de eternos amantes; o Sol esconde-se por detrás delas, sem deixar, contudo, de lançar ao parapeito de nossa janela – local de sonhos, lembranças... De muitos de nossos íntimos devaneios - um pequenino feixe de luz. Intensificara-se no ambiente o aroma das flores. Um aroma que, sabemo-lo, ela nunca mais tornará a sentir. Minha Amie, minha querida Amie, está a morrer.


{...}

7 ϻĭņđʼƨ:

「ϻȝƚɋɣαɦȡ 」 disse... @ 6 de agosto de 2008 às 00:13

{to be continued...}

Lia disse... @ 8 de agosto de 2008 às 21:11

Nhain...

[...]

May disse... @ 10 de agosto de 2008 às 20:11

Nossa..
T-T
(L)²

Lina :) disse... @ 13 de agosto de 2008 às 13:27

AHÁ! Você é um espião! Espia, espia, espia. Aí quando eu reclamo que ngm comenta, você vai lá e pá! Comenta!
Você me dá medo, Uíu. *Faz cara de Sherlock*

:*

Lina :) disse... @ 15 de agosto de 2008 às 10:29

Ainda me mostra a língua?
--'

HAUHEUHUEHAUEH
Tou esquisita hoje. :/

E eu adorei o texto. :)

Vincent's disse... @ 15 de agosto de 2008 às 22:47

Este texto toca os mais insensíveis! "O peso do tempo"! Vc marca as pessoas a ferro e fogo, esta é uma qualidade impressionante. As palavras fluem com naturalidade e vc atribui a elas um caráter intenso ao extremo, o que choca de uma maneira sutil. Sinto o peso de perder um grande amor, sinto a atmosfera do ambiente descrito me envolver de uma tal forma avassaladora, sinto que irei sonhar com tal perda, com tal comoção. Tenho vontade de chorar, sinto. É um grande escritor, Lia estava certa, o maior escritor que já vi. Eu gosto de críticas, elas são construtivas. Gosto, realmente gosto de ver aquele que permite ser visto entre os vãos. Há em tudo que diz respeito a você, uma grandiosa qualidade. Simplesmente impressionante.

Taimã disse... @ 17 de agosto de 2008 às 18:57

Fiz um post pra ti lá, acho que depois dessa eu vou dormir bem mais tranqüila! Beijo!

obs.: belíssimo texto *-*

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